Morre o jornalista Jourdan Amóra aos 87 anos
Por Redação
O jornalista Jourdan Amóra faleceu na manhã deste domingo (19), por volta das 10h30, no Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), onde estava internado havia cerca de duas semanas. A causa da morte foi falência múltipla dos órgãos. Aos 87 anos, “Seu Jourdan”, como era conhecido por todos, deixa um legado de mais de seis décadas dedicadas à imprensa e à defesa da liberdade de expressão no estado do Rio de Janeiro.
Uma vida dedicada ao jornalismo
Nascido em 6 de maio de 1938, em Araçuaí, no norte de Minas Gerais, e criado em Niterói, Jourdan Norton Wellington de Barros Amóra transformou o jornalismo em missão de vida. Foi repórter, editor e empresário, reconhecido pela firmeza ética e pela paixão pela notícia. Desde jovem, demonstrava interesse pelas letras e pela vida pública. Aos 14 anos, fundou seu primeiro jornal, Praia das Flechas, voltado à vida social do bairro onde morava.
Ainda na adolescência, presidiu a Federação dos Estudantes Secundários de Niterói (FESN) e editou o jornal A Voz da FESN, defendendo a relação entre informação e cidadania. Esses primeiros passos o levariam a uma trajetória marcada pela coragem de informar e pela busca constante da verdade.
Trajetória marcada por coragem e independência
Nos anos 1950, Jourdan iniciou sua carreira profissional na imprensa, com passagens por A Palavra, Diário do Povo e Diário do Comércio, além de colaborar com as sucursais fluminenses de grandes jornais nacionais. Ficou conhecido pela ousadia em cobrir temas delicados e pelo olhar humano que imprimia às reportagens.
Em 1965, após deixar o Jornal do Brasil, fundou um pequeno periódico em Niterói que logo se tornaria um dos mais influentes da imprensa regional. A publicação se destacou por sua independência e pela resistência em tempos de censura. Em 1972, Jourdan foi preso na própria redação por agentes da DOPS, após publicar denúncias sobre autoridades locais. No dia seguinte, o jornal circulou com uma capa histórica: apenas a palavra “Libertas…”, símbolo de resistência à repressão e da luta pela liberdade de imprensa.
Inovação e legado duradouro
Além de jornalista, Amóra foi empreendedor e visionário. Criou o Jornal de Icaraí em 1972 — o primeiro gratuito distribuído porta a porta em Niterói —, a revista Tela em 1983 e o semanário A Tribuna de São Gonçalo em 1990. Também presidiu a Associação Brasileira de Jornais do Interior (Abrajori), defendendo a modernização tecnológica e a democratização da informação nos pequenos e médios veículos do país.
Sua influência ultrapassou as redações. Foi voz ativa em debates urbanos e políticos, defendendo causas que marcaram a história de Niterói, como o alargamento da Avenida Marquês do Paraná e a luta contra a fusão entre os estados do Rio e da Guanabara, que ameaçava a autonomia do interior fluminense.
Família e despedida
Casado desde 1972 com a professora Eva de Loures Amóra, compartilhou com ela décadas de trabalho, companheirismo e amor ao jornalismo. O casal teve dois filhos, Gustavo e Luis Jourdan, ambos herdeiros da paixão do pai pela profissão. Eva faleceu em setembro deste ano, e a morte de Jourdan ocorre pouco mais de um mês após a partida da companheira.
A trajetória de Jourdan Amóra permanece como referência ética e exemplo de dedicação à verdade. Seu nome está inscrito na história da imprensa fluminense e seguirá inspirando gerações de profissionais da notícia.
O velório do jornalista Jourdan Amóra será nesta segunda-feira (20) no Cemitério Parque da Colina, na Estr. Francisco da Cruz Nunes, 987, em Pendotiba, Niterói, às 12h45 até às 14h45, com sepultamento logo em seguida.
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