Megaoperação no Alemão e Penha deixa 64 mortos e 81 presos
Por Redação – Atualizado às 18h30
28/10/2025 – Nesta terça-feira (28), o Rio de Janeiro registrou a operação policial mais letal de sua história. Nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte, a ação integrada das polícias Civil e Militar resultou em 64 mortos, incluindo quatro agentes, e 81 prisões. A ofensiva faz parte da Operação Contenção, planejada para combater o avanço do Comando Vermelho (CV) em territórios estratégicos da cidade.
Confrontos e retaliações
A chegada de 2.500 agentes e o cumprimento de 100 mandados de prisão geraram reação imediata dos criminosos, que dispararam contra as equipes e ergueram barricadas em chamas. Vídeos captaram quase 200 tiros em um minuto, acompanhados de colunas de fumaça. Em retaliação, criminosos lançaram bombas com drones, enquanto outros fugiam em fila indiana pelas áreas mais altas do Complexo do Alemão, lembrando episódios de 2010 durante a ocupação da região.
Entre os policiais mortos estão Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, Rodrigo Velloso Cabral, Cleiton Searafim Gonçalves e Herbert, todos reconhecidos por sua atuação em operações de alto risco. Além disso, três civis ficaram feridos, incluindo um homem em situação de rua, uma mulher em uma academia e outro indivíduo em um ferro-velho.
Impactos na cidade e operação de inteligência
As represálias do tráfico provocaram interrupções no transporte público, com mais de 100 linhas de ônibus alteradas e impactos nos corredores do BRT Transcarioca e Transbrasil. Instituições de ensino, como UFRJ, UERJ, UFF e FAETEC, suspenderam as aulas, e escolas municipais e privadas recomendaram que pais buscassem os alunos devido à insegurança.
A ação contou ainda com helicópteros, blindados e veículos de demolição, além da participação de promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Foram denunciadas 67 pessoas por associação ao tráfico e três por tortura, enquanto líderes do CV, como Thiago do Nascimento Mendes (Belão do Quitungo) e Nicolas Fernandes Soares, foram presos, desarticulando parte da estrutura financeira e operacional da facção.
Repercussões políticas
O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, destacou que toda a operação foi planejada pelo governo estadual, sem apoio federal. O governador Cláudio Castro afirmou que pedidos de auxílio foram negados três vezes, enquanto o governo federal respondeu que tem atendido prontamente aos requerimentos de Força Nacional. Cerca de 280 mil pessoas vivem nas áreas afetadas, reforçando a complexidade da operação e a necessidade de atuação coordenada das forças de segurança.
A megaoperação evidencia a continuidade do combate às facções criminosas no Rio de Janeiro, sendo considerada a mais violenta desde 2010, com impactos diretos na rotina urbana, segurança e serviços públicos, marcando um novo capítulo na luta do estado contra o crime organizado.
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