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Viradouro conquista seu 4º título com tributo a Mestre Ciça

Escola de Niterói alcança pontuação máxima na Sapucaí com desfile emocionante e homenagem histórica a um dos maiores mestres de bateria do carnaval brasileiro.

Por Redação

A Unidos do Viradouro confirmou seu protagonismo no carnaval carioca ao conquistar o título do Grupo Especial em 2026. Com o enredo “Pra cima, Ciça!”, a escola de Niterói levou para a Marquês de Sapucaí uma celebração em vida a Mestre Ciça, referência histórica das baterias e comandante dos ritmistas da agremiação. O resultado garantiu à Vermelha e Branca o quarto campeonato de sua trajetória, consolidando uma fase marcada por planejamento, ousadia artística e forte identidade comunitária.

A apuração confirmou o favoritismo construído na avenida. A escola somou 270 pontos nas notas válidas, gabaritou os nove quesitos e descartou duas avaliações de 9,9 — em Fantasias e Samba-enredo. A diferença foi mínima: a Beija-Flor de Nilópolis terminou com 269,9 pontos, mesma pontuação da Vila Isabel, que ficou em terceiro após o critério de desempate em Harmonia. Também retornam no Sábado das Campeãs Acadêmicos do Salgueiro, Imperatriz Leopoldinense e Estação Primeira de Mangueira. Já a Acadêmicos de Niterói, com um desfile que homenageou Lula, foi muito mal e acabou rebaixada para a Série Ouro.

 

Uma homenagem construída com emoção e estratégia

Desde os primeiros minutos, a apresentação deixou claro que a escola apostaria na emoção como fio condutor. Na comissão de frente, o próprio Mestre Ciça surgiu em cena em uma encenação cuidadosamente planejada. A narrativa mostrou a trajetória de Moacyr da Silva Pinto desde a infância, quando iniciou sua ligação com o samba, até se tornar um dos nomes mais respeitados do ritmo no país.

O momento mais surpreendente ocorreu quando o mestre, inicialmente camuflado entre bailarinos, revelou-se ao público. Ele retirou o figurino que o escondia e passou a interagir com sua versão mirim, representada por um jovem componente. Em seguida, subiu a um tripé cenográfico em forma de apito que se transformou nos arcos da Apoteose. A encenação ainda incluiu uma simulação de saída estratégica da avenida para que Ciça retornasse ao fim do desfile e conduzisse a bateria do alto do último carro alegórico.

A execução técnica chamou atenção pela precisão. A escola manteve evolução consistente, harmonia equilibrada e uma bateria que alternou bossas com segurança. Além disso, as alegorias apresentaram acabamento refinado, enquanto as fantasias reforçaram a identidade visual vibrante da agremiação.

 

Participações especiais e impacto cultural

O desfile também contou com participações que ampliaram o simbolismo da homenagem. Mestres de bateria de diferentes escolas integraram uma das alegorias, reforçando o respeito ao homenageado. O carnavalesco Paulo Barros apareceu emocionado durante a passagem da escola, enquanto a atriz Juliana Paes retornou ao posto de rainha de bateria após 18 anos, reacendendo uma imagem histórica da agremiação.

Outro ponto marcante foi a recriação de um momento emblemático de 2007, quando ritmistas desfilaram sobre um carro alegórico. A releitura dialogou com a memória afetiva da comunidade e reforçou a narrativa de continuidade entre passado e presente. Assim, a escola conseguiu unir tradição e inovação sem comprometer a fluidez do espetáculo.

O título também repercutiu fora da avenida. O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, destacou a importância cultural da conquista e lembrou que o apoio financeiro seguiu critérios técnicos estabelecidos por legislação municipal. Segundo a prefeitura, o repasse ao Grupo Especial foi de R$ 4 milhões, dentro das normas de transparência previstas na Lei nº 4.063/2025.

 

Consolidação de um ciclo vitorioso

A vitória de 2026 ocorre apenas dois anos após o último campeonato da escola, conquistado em 2024. Esse intervalo curto evidencia a consolidação de um projeto artístico consistente. Planejamento financeiro, valorização da comunidade e escolha de enredos com forte apelo simbólico têm sido pilares da atual gestão.

Além disso, a estratégia de homenagear uma personalidade ainda em atividade aproximou o público da narrativa. A celebração em vida permitiu que a emoção fosse compartilhada diretamente com o homenageado, criando um dos momentos mais comentados desta edição do carnaval.

O resultado reafirma o peso cultural das escolas de samba de Niterói no cenário estadual. Ao mesmo tempo, reforça a capacidade do carnaval carioca de se reinventar sem perder suas raízes. Informações oficiais sobre notas e regulamento podem ser consultadas no site da Liga Independente das Escolas de Samba em https://liesa.globo.com.

Com a conquista, a Viradouro encerra o carnaval de 2026 consolidada como referência artística e competitiva. O desafio agora será manter o nível elevado e transformar a emoção do título em combustível para a próxima temporada.

 

Confira a ordem da classificação geral das escolas do Rio de Janeiro

Unidos do Viradouro – 270,0
Beija-Flor de Nilópolis – 269,9
Unidos de Vila Isabel – 269,9
Acadêmicos do Salgueiro – 269,7
Imperatriz Leopoldinense – 269,4
Estação Primeira de Mangueira – 269,2
Unidos da Tijuca – 268,7
Acadêmicos do Grande Rio – 268,7
Paraíso do Tuiuti – 268,5
Portela – 267,9
Mocidade Independente de Padre Miguel – 267,4
Acadêmicos de Niterói – 264,6 (Rebaixada)

 

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