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Corpos mumificados são encontrados em hospital municipal do Rio

Polícia investiga as circunstâncias da morte e o tempo de permanência dos corpos em necrotério do Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier.

Por Redação

A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu uma investigação após a descoberta de quatro corpos em estado de mumificação dentro do necrotério do Hospital Municipal Salgado Filho, no bairro do Méier, zona norte da capital fluminense. A ocorrência foi registrada na última quinta-feira (2), quando equipes do Instituto Médico-Legal (IML) foram acionadas para fazer a remoção dos cadáveres, encontrados em condições que levantaram suspeitas de negligência.

Segundo informações apuradas pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), os corpos estariam armazenados há meses, sem identificação completa e sem que houvesse registros recentes de encaminhamento para o sepultamento ou liberação às famílias. O cenário chamou atenção dos investigadores pela ausência de controle sobre a conservação e o fluxo de entrada e saída de corpos na unidade hospitalar.

Hospital sob investigação e protocolo falho

O Hospital Municipal Salgado Filho é uma das principais referências de atendimento emergencial na zona norte do Rio. De acordo com fontes ligadas à investigação, o caso teria sido descoberto durante uma inspeção de rotina no setor de patologia, quando funcionários perceberam o mau estado do ambiente refrigerado. O equipamento responsável pela conservação teria apresentado falhas, o que acelerou o processo de decomposição até o estágio de mumificação.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que instaurou uma sindicância interna para apurar responsabilidades e entender por que os corpos não foram removidos a tempo. A pasta declarou ainda que colaborará com a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) para garantir total transparência no caso.

Famílias aguardam identificação oficial

Peritos do Instituto Médico-Legal realizam exames de DNA e confrontam dados com registros de desaparecidos para identificar as vítimas. Três corpos seriam de adultos e um de idoso, mas as autoridades ainda não confirmaram o sexo nem as causas das mortes. A Polícia Civil informou que as famílias de pacientes desaparecidos que passaram recentemente pelo hospital estão sendo contatadas para coleta de amostras genéticas.

O caso reacendeu o debate sobre as condições estruturais e administrativas dos hospitais públicos do Rio, que há anos enfrentam denúncias de superlotação, falta de manutenção e precariedade nos setores de necrotério e refrigeração. Especialistas em gestão hospitalar apontam que o controle de cadáveres é parte fundamental da segurança sanitária e da dignidade post-mortem, e que falhas nesse processo representam risco tanto para a saúde pública quanto para a imagem da instituição.

Ações e medidas emergenciais

A Prefeitura do Rio afirmou que o sistema de refrigeração do necrotério foi substituído e que novas normas de controle de entrada e saída de corpos estão sendo implementadas. Além disso, a Secretaria Municipal de Saúde disse que realizará inspeções periódicas em outras unidades municipais para evitar novos incidentes.

Enquanto a perícia avança, a Polícia Civil mantém o caso sob sigilo, investigando possíveis crimes de abandono de cadáver e omissão administrativa. O desfecho dependerá do laudo técnico do IML e do cruzamento de informações obtidas junto às famílias e aos registros hospitalares.

Fotos reprodução

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