Niterói

Lagoa de Piratininga inicia recuperação com obra histórica

Nova intervenção da Prefeitura de Niterói vai restabelecer a circulação entre o mar e a lagoa, reduzir impactos ambientais e fortalecer a pesca artesanal da região.

Por Redação

A recuperação ambiental da Lagoa de Piratininga entrou em uma nova fase com a chegada da bomba hidráulica de grande porte que será utilizada na reconstrução do Túnel do Tibau, em Niterói. O equipamento marca o início efetivo de uma das intervenções mais aguardadas pela população da Região Oceânica e representa um passo decisivo para restabelecer a renovação das águas entre a lagoa e o mar.

Com investimento de R$ 38 milhões e prazo estimado de 12 meses para conclusão, a obra será executada pela Prefeitura de Niterói após o município assumir a responsabilidade pela intervenção. A expectativa é que a melhoria da circulação hídrica reduza os episódios de mortandade de peixes, aumente a oxigenação da água e fortaleça todo o ecossistema lagunar, beneficiando também os pescadores artesanais que dependem da lagoa para seu sustento.

Obra busca solução definitiva para problemas históricos

As primeiras equipes já iniciaram a instalação de um emissário temporário responsável por conduzir água do mar para a Lagoa de Piratininga durante a execução das obras. O sistema permitirá manter a circulação das águas enquanto a antiga comporta permanecer fechada para a reconstrução do Túnel do Tibau.

Segundo a Prefeitura, a intervenção coloca fim a uma longa espera iniciada após o desmoronamento parcial da estrutura, ocorrido em 2019. O túnel havia sido construído em 2005 pelo Governo do Estado para promover a renovação das águas, mas o desgaste da estrutura comprometeu o fluxo hídrico ao longo dos anos, agravando o assoreamento e provocando sucessivos episódios de mortandade de peixes.

Após a conclusão da obra, todo o sistema provisório de bombeamento será desmontado e removido, preservando as características originais das áreas utilizadas durante os trabalhos.

Ciência, pescadores e poder público atuam juntos

Mesmo antes do início da reconstrução do túnel, pesquisadores, pescadores artesanais e moradores já desenvolviam ações para reduzir os impactos ambientais acumulados ao longo das últimas décadas.

Entre as principais iniciativas está o projeto de Automonitoramento Assistido da Pesca, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) em parceria com pescadores locais. Desde 2019, os profissionais registram diariamente informações sobre espécies capturadas, quantidade de pescado, locais de pesca e períodos de maior produtividade, criando um banco de dados considerado referência nacional em gestão participativa de ecossistemas costeiros.

Os levantamentos mostram que apenas no primeiro quadrimestre monitorado de 2025 foram registradas aproximadamente sete toneladas de pescado na Lagoa de Piratininga, demonstrando que, apesar dos desafios ambientais, o sistema permanece produtivo e responde positivamente às ações de recuperação.

Especialistas destacam que ainda não é possível estimar quanto a produção pesqueira poderá crescer após a conclusão das obras. No entanto, a expectativa é que a melhoria da circulação e da oxigenação das águas reduza significativamente os eventos de mortalidade de peixes, proporcionando maior estabilidade para a atividade pesqueira.


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Recuperação ambiental vai além da reconstrução do túnel

A revitalização da Lagoa de Piratininga também é resultado de uma série de políticas públicas implantadas nos últimos anos. Entre elas está o programa Ligado na Rede, que já impediu o lançamento mensal de mais de 20,8 milhões de litros de esgoto no sistema lagunar por meio da regularização gratuita de ligações para famílias de baixa renda.

Outras iniciativas incluem a atuação permanente da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) na retirada de resíduos descartados irregularmente, trabalhos de desassoreamento, renaturalização do Rio Jacaré e ações contínuas de preservação ambiental.

O Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis também integra esse processo. Com aproximadamente 680 mil metros quadrados, o espaço reúne jardins filtrantes, ciclovias, píeres de contemplação e pesca, áreas de lazer, mirantes e um centro voltado à educação ambiental, contribuindo para reduzir o carreamento de sedimentos e melhorar gradualmente a qualidade das águas da lagoa.

A administração municipal destaca que manterá diálogo permanente com moradores, pescadores e pesquisadores durante todas as etapas da obra, garantindo acompanhamento técnico e transparência na execução da intervenção.

Para mais informações sobre ações de preservação ambiental no município, acesse: https://www.niteroi.rj.gov.br 

Fotos: Claudio Fernandes/Divulgação

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